sábado, 30 de dezembro de 2023

A cidade dos amaldiçoados





 A edicão da Diário Macabro é belissima. Destaco o posfácio escrito pelo pesquisador e professor Carlos Primati, que além do posfácio nos brinda com uma filmografia selecionada baseada nos livros do John Windham. 

Apesar de achar o livro mais ameno do que os filmes, eu amei. Indico para todos os fãs de ficção.


Quanto a história, durante um apagão, as mulheres férteis são engravidadas de modo misterioso. Passado um tempo nota-se a similidariedade dentre elas e seu poder telepático. E a história tem seu embate humanos versus as Crianças e o que fazer para a humanidade ser protegida desta ameaça.


A cidade dos amaldiçoados. John Wyndham; Alcebiades Diniz Miguel (tradução). Editora Diário Macabro, 2021. 288p.

Título original: The Midwich Cuckoos.



sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

☠️ Saboroso Cadáver

 Tenho uma colega que sempre que conversamos sobre livros, vive me dizendo "você só lê sobre cinema ou biografias". E ainda acrescentou você precisa ler mais mulheres. Bom, em partes, ela tem razão, quase 90% do que leio é sobre cinema (em especifico sobre horror, cinema brasileiro e cinema independente), a outra metade são livros de: música, romances, poesia, gastronomia (sim gente, leio livro de receitas e sobre gastronomia em geral), policiais etc.


 E sobre ler mulheres... é um absurdo quando parei para pensar o tão pouco que leio.

Logo, durante a pandemia, decidi mudar este cenário e principalmente acrescentar escritoras no meu universo literário. 

O "meu eu anterior" só sabia da Agatha Cristhie e o seu famoso pudim de natal e da Lu Micheletti (Sim, a Lu ex-vj da Emê-Tê-vê... em breve escreverei sobre algum livro dela, mas já adianto que um dos melhores livros de poesia que li, foi dela!).


Muita calma nessa hora! Devo ter lido mais escritoras, mas como sou ruim de memória citei apenas estas duas. 

Farei uma mencão honrosa a querida Gillian Anderson. Tenho um livro dela, maravilhoso, um sci-fi a lá Arquivo-X...que será assunto de outrora.


Vamos agora ao livro da vez...



É para poucos, talvez seja uma das leituras mais pesadas que já li, entretanto, não significa que seja um livro ruim...pelo contrário, é excelente. 

Desde as primeiras páginas dá-se o tom que iremos enfrentar ao longo da história. 

Se passa num período onde o consumo de carne humana é permitido, pois uma doença se alastrou contaminando os animais e os deixando impróprio para o consumo. Ao decorrer do livro questiona-se se tal doença existe ou se não é uma conspiração do governo e da cadeia produtiva e também o por que de não consumir outras opções, como os vegetais.

 Marcos filho de um ex-dono de frigorífico, é o braço direito do atual dono e acompanhamos seus percausos ao longo do livro.

 Não temos empatia pelo personagem, afinal ele mesmo, não demonstra um pingo de empatia pelo próximo. Nada justifica seu comportamento, é um escroto como tantos os outros. 


Tem criticas e alegorias dignas de reflexões, os seres humanos são chamados de produtos, cabeças, números, alguns nomes de cortes importamos dos animais ou os adaptamos. Nós, humanos, na qualidade de meros produtos pra abate, somos número e temos controle de qualidade. 


Como sempre no "capetalismo", existe a discrepancia de classes... temos então os ricos que comem as cabeças de melhores qualidades e temos os "marginalizados" que comem a carne com nome e sobrenome. Afinal de contas o canibalismo não curou a fome como era esperado, só deu vazão, ao que já acontece...


Eu li cada frase, com um aperto no coração, todavia, a minha imaginacão foi além e imaginando o livro como se fosse um belo filme de horror. (Alô diretores, vamos transformar o livro na sétima arte?). Imaginei Fulci, Cronenberg, Mojica e como a escritora é uma mulher latino americana, imaginei também a nossa querida Gabriela Amaral Almeida... Uma sequencia de "O animal cordial" baseado no livro da Águstina. Quem sabe um dia...quem sabe um dia...

Enfim, apesar de ter gostado, recomendo apenas se tiver um estomago forte.


Estou doido para dissecar as obras da escritora! E meus caros amigos leitores vamos ler mais mulheres, sempre!!!



Saboroso cadáver. Agustina Bazterrica; Ayelén Medail (tradução). Editora: Darkside Books, 2022. 192 p.

Título original:  Cadáver Exquisito.

O olhar do Paul


 

Em Paul McCartney: 1964 os olhos do furacão temos o maravilhoso registro atráves do olhar do Paul (ou seria das lentes?) no boom da "Beatlemania". Registros foram feitos em Liverpool, Londres, Paris, Nova Iorque, Washington DC e Miami.
Para cada cidade, acompanha um breve texto descrevendo o contexto das fotografias.

A sensibilidade do Paul nas fotos é gigante, tal qual o é, em suas composições.

Quem me conhece sabe que sou um beatlemaniaco desde pequeno, mas desses fãs que pegam os discos..os encartes dos discos/cds ... o violão e ficam horas curtindo/tirando o som.


 Ouvi ainda criança, o cover entoado na voz de Humberto Gessinger : "era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones". 

Já tinha ouvido beatles, mas acho que ter outro baixista consagrando a banda me encantou também. HG, tal qual, Paul tem umas das linhas de baixo mais geniais...

Não faltou muito para os besouros se tornarem a minha paixão ( já o stones demorei pra gostar, mas isso fica pra outrora).

Nos meus 29, meu sobrinho nasceu, toquei "Blackbird" para ele e vi um sorriso. Algumas semanas depois coloquei -agora não me recordo a música- mas outra vez foram os beatles, talvez tenha sido "Two of us" , "Let it Be" ou qualquer outra, outro sorriso. Hoje meu sobrinho não virou beatlemaniaco ainda, mas serão estas lembranças que guardarei para sempre.

 Tardei em ler mais sobre os quatro garotos de Liverpool. Comecei depois dos 20 e poucos. Me surpreendi ter alguma coisa em comum com o Paul (algo além do amor da música, do amor pelo contrabaixo) , no livro ele diz que antigamente não tinha essa facilidade que temos hoje com as cameras digitais e em linhas gerais era na base do sentimento. Assim como meu amor pela música, pelos livros, filmes....a fotografia sempre me encantou e eu mesmo vivenciando a transição do analógico para o digital, amo uma foto "tremida", desfocada, escura, ou muito clara, sem filtro - ou qualquer outra coisa- para mim vale o registro do momento... do sentimento daquele segundo. E é isso pessoal. Viva os bitus, viva a fotografia, viva Paul! 


1964: os olhos do furacão. Paul McCartney; Henrique Guerra (tradutor). Editora:Belas Letras, 2023. 336 p.


Título original: 1964: eyes of the storm.


Eu sou a lenda

  Ícone do scifi/horror dos anos 50 O ano era 1976, Robert Neville, possivelmente, o único sobrevivente de uma pandemia vampiresca que se as...