sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

☠️ Saboroso Cadáver

 Tenho uma colega que sempre que conversamos sobre livros, vive me dizendo "você só lê sobre cinema ou biografias". E ainda acrescentou você precisa ler mais mulheres. Bom, em partes, ela tem razão, quase 90% do que leio é sobre cinema (em especifico sobre horror, cinema brasileiro e cinema independente), a outra metade são livros de: música, romances, poesia, gastronomia (sim gente, leio livro de receitas e sobre gastronomia em geral), policiais etc.


 E sobre ler mulheres... é um absurdo quando parei para pensar o tão pouco que leio.

Logo, durante a pandemia, decidi mudar este cenário e principalmente acrescentar escritoras no meu universo literário. 

O "meu eu anterior" só sabia da Agatha Cristhie e o seu famoso pudim de natal e da Lu Micheletti (Sim, a Lu ex-vj da Emê-Tê-vê... em breve escreverei sobre algum livro dela, mas já adianto que um dos melhores livros de poesia que li, foi dela!).


Muita calma nessa hora! Devo ter lido mais escritoras, mas como sou ruim de memória citei apenas estas duas. 

Farei uma mencão honrosa a querida Gillian Anderson. Tenho um livro dela, maravilhoso, um sci-fi a lá Arquivo-X...que será assunto de outrora.


Vamos agora ao livro da vez...



É para poucos, talvez seja uma das leituras mais pesadas que já li, entretanto, não significa que seja um livro ruim...pelo contrário, é excelente. 

Desde as primeiras páginas dá-se o tom que iremos enfrentar ao longo da história. 

Se passa num período onde o consumo de carne humana é permitido, pois uma doença se alastrou contaminando os animais e os deixando impróprio para o consumo. Ao decorrer do livro questiona-se se tal doença existe ou se não é uma conspiração do governo e da cadeia produtiva e também o por que de não consumir outras opções, como os vegetais.

 Marcos filho de um ex-dono de frigorífico, é o braço direito do atual dono e acompanhamos seus percausos ao longo do livro.

 Não temos empatia pelo personagem, afinal ele mesmo, não demonstra um pingo de empatia pelo próximo. Nada justifica seu comportamento, é um escroto como tantos os outros. 


Tem criticas e alegorias dignas de reflexões, os seres humanos são chamados de produtos, cabeças, números, alguns nomes de cortes importamos dos animais ou os adaptamos. Nós, humanos, na qualidade de meros produtos pra abate, somos número e temos controle de qualidade. 


Como sempre no "capetalismo", existe a discrepancia de classes... temos então os ricos que comem as cabeças de melhores qualidades e temos os "marginalizados" que comem a carne com nome e sobrenome. Afinal de contas o canibalismo não curou a fome como era esperado, só deu vazão, ao que já acontece...


Eu li cada frase, com um aperto no coração, todavia, a minha imaginacão foi além e imaginando o livro como se fosse um belo filme de horror. (Alô diretores, vamos transformar o livro na sétima arte?). Imaginei Fulci, Cronenberg, Mojica e como a escritora é uma mulher latino americana, imaginei também a nossa querida Gabriela Amaral Almeida... Uma sequencia de "O animal cordial" baseado no livro da Águstina. Quem sabe um dia...quem sabe um dia...

Enfim, apesar de ter gostado, recomendo apenas se tiver um estomago forte.


Estou doido para dissecar as obras da escritora! E meus caros amigos leitores vamos ler mais mulheres, sempre!!!



Saboroso cadáver. Agustina Bazterrica; Ayelén Medail (tradução). Editora: Darkside Books, 2022. 192 p.

Título original:  Cadáver Exquisito.

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